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Competitividade:
O Estado das Organizações

Junho 2006


Estabeleçamos inicialmente um acordo semântico: a competição econômica existe em ambientes denominados de “sistemas concorrenciais” nas quais, duas ou mais organizações disputam sua sobrevivência no mercado, muitas vezes além da busca do maior lucro possível.

Em entrevista concedida à revista Veja, datada de 28 de junho de 2006, o Secretário do Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutierrez discorre sobre vários temas de interesse, como são as questões do Nafta e Cafta (poderíamos também incluir: Mercosul, Alca, etc.), sempre enfatizando algo que na sua última resposta encontra seu ápice. Ei-la:

“... devemos nos preocupar em ser mais competitivos, produtivos e eficientes. A palavra hoje é competitividade. O desafio de qualquer mercado e criar emprego e crescer. Esta é uma das razões para acreditar que a colaboração, a parceria e a integração das Américas nos ajudarão a ser mais competitivos.”

Este, que é o negociador chefe de seu país em questões que envolvem negócios internacionais, usa a palavra competitividade (e suas variantes) três vezes neste trecho que recortamos. Isto não é mero acaso para quem ocupa um cargo tão estratégico como o dele.

É a competição entre as nações que gera acordos para a abertura de novos negócios e asseguram o crescimento organizacional assim como manutenção da empregabilidade. Agora, até o Estado capitalista em essência, necessita para sobreviver da competição, conforme destaca Carlos Gutierrez nesta entrevista. A colaboração, parceria e integração ajudam as organizações/cidades/estados/países/continentes a serem muito mais competitivos. Ninguém ou nenhuma organização pode verticalizar sua produção ou serviço não sendo competitivo, pois sempre haverá outro concorrente que poderá efetuar um fornecimento mais vantajoso.

Sem competitividade, não haveria motivo para serem desenvolvidos novos produtos e serviços, pois todas as organizações poderiam ficar em suas zonas de conforto, fazendo aquilo que sempre fizeram. O único porém, é que não haveria progresso.

O conceito de que “os mais aptos sobrevivem num processo de seleção natural”, proposto por Darwin na Teoria da Evolução, mostra que este princípio continua vivo em nossos dias estendendo-se tanto ao campo empresarial como no governamental. Perguntemos-nos: quais as organizações que continuarão existindo amanhã?

Fazendo uma referência à indústria automobilística brasileira, graças à abertura para a concorrência internacional, os mesmos fabricantes estrangeiros que existiam no Brasil se viram na obrigação de produzir carros com melhor qualidade e adaptados ao gosto e às condições dos consumidores brasileiros. Hoje, além de termos carros muito melhores, estamos exportando vários modelos e componentes automotivos para vários países. Se fizermos um comparativo com os países mais desenvolvidos, sabemos que o diferencial ainda é enorme, o que força este ramo de atividade a buscar continuamente soluções inovadoras com o uso de técnicas de gestão do conhecimento. Portanto, até o mercado automobilístico, em grande parte base da economia, necessita cada vez mais aprimorar suas competências gerenciais para continuar a disputar sua fatia de mercado ou desaparecer se não for competitivo. O mercado é quem dita a regra de funcionamento Estado/Empresa e sendo o mercado aberto, a disputa pela sobrevivência se acirra cada vez mais. A competitividade não é só palavra chave para Carlos Gutierrez, mas ela o é para todos nós.

Se observarmos o avanço econômico chinês, vemos sua maior preocupação exatamente neste sentido. Para um mesmo produto, existem vários modelos adequados ao uso de seus consumidores e assim, atingem um leque de clientes muito mais amplo. A competitividade abre mercados internos e externos, cria empresas e auxilia no crescimento da economia. Eles já descobriram que só os fortes e adaptáveis/flexíveis é que irão continuar no mercado, logo eles, até então tão distante dos avanços e teorização ocidentais.

Como era a China que conhecíamos há poucos anos atrás, com seu regime predominantemente socialista? Não havia grandes motivos para a competitividade, pois a grande maioria da população se comportava de maneira similar, a sustentação básica era do Estado e até o modo de vestir de sua população era semelhante.

Como referência ao que estamos ressaltando, vejamos alguns números da cidade chinesa de Shenyang, novo pólo industrial em implantação:

  • 33 das 500 maiores empresas de 78 países estão instaladas (GM, Bridgestone, Furukawa, Toshiba, Carrefour, Basf, Sanyo, Michelin, Coca Cola, Mc.Donalds, Daimler-Chrysler, Mitsubishi, Panasonic, Hyundai, Wallmart, Toyota)
  • Mais de 100 países e regiões do mundo fizeram parcerias locais
  • 25.000 investidores de companhias estrangeiras
  • 124 institutos de pesquisa com 480.000 cientistas e técnicos
  • 30 universidades e faculdades com 180.000 doutores e doutorandos e 170.000 universitários
  • Cada ano são transportados 150 milhões de toneladas de produtos e 100 milhões de passageiros/ano
  • O aeroporto local se comunica com 70 cidades chinesas e 11 cidades de outros países

Mas este processo não se dá ex-nihilo (do nada), mas de um treinamento e reciclagem constantes (1). Na China de hoje, o investimento em educação e treinamento alcança números nunca antes registrados. Eles entenderam que a base para as grandes mudanças está no homem, pois só ele pode criar recursos que garantam a sobrevivência de suas organizações. Num processo constante, enviam seus cérebros mais privilegiados para estudar em paises mais desenvolvidos e importam expoentes nas áreas de conhecimento em que são carentes. Assim, o desenvolvimento mental fica mais acessível e intenso, tornando mais factível a competitividade em todas as áreas do conhecimento.

Competir é participar, mas principalmente , é uma ação daqueles que querem continuar existindo. Não basta saber e temer o que está assustando nosso negócio. São necessários conhecimento para tomar ações para enfrentar a concorrência e superá-las. Precisamos por em prática ferramentas gerenciais já consagradas e aplicadas na prática para ganharmos velocidade no negócio.

  1. KAIZEN: Melhoria Contínua.

Se é necessário fazer alianças locais, regionais, nacionais e mesmo internacionais, para assegurar que seremos os vencedores, não podemos procrastinar para enfrentar a concorrência global. A hora é agora, ou...

Se sua organização precisa ser ainda mais competitiva, conte conosco para estabelecermos uma estratégia conjunta para ampliar sua eficácia.

Autor: Lauro Volaco
Empresa: IBC – Instituto Brasileiro para a Competitividade