“A indústria
norte americana é a mais desenvolvida,
tornando este país a maior economia
mundial“. Esta frase, ouvida
ou lida sem muita atenção
ou conhecimento, parece verdadeira. Fazendo
uma análise um pouco mais detalhada,
podemos assegurar que é falsa.
Alguns segmentos são sem sombra
de dúvida, altamente desenvolvidos,
tais como o aeroespacial, a informática,
telecomunicação, etc. Outros,
já foram fator de destaque na economia
americana e estão caóticos
ou em via de extinção, caso
continuem na mão de grupos americanos.
Para citar um exemplo real daquilo que
pudemos constatar durante um período
de aproximadamente 2 anos que moramos em
Detroit - Michigan (2003-2004), está
a indústria siderúrgica.
Após ser criada principalmente para
suprir o berço da indústria
automobilística ( Detroit é
a sede mundial da GM e na cidade vizinha
de Dearborn, está situada a sede
mundial da Ford), empregando milhares de
pessoas de todo o mundo, o que pode ser
visto hoje, causa espanto. Várias
siderúrgicas, com todas as máquinas,
equipamentos e instalações,
estão literalmente “sucateados”.
No dia em que foi tomada a decisão
de que esta não seria mais viável
economicamente, tanto por falta de atualização
tecnológica como pela paralização
do desenvolvimento de seus recursos humanos,
perdeu sua competitividade e teve que encerrar
suas atividades. O que se vê, além
do abandono destas indústrias, são
milhares de profissionais que perderam seus
empregos e causaram grandes transtornos
familiares e sociais.
Para nós, brasileiros, que vivemos
com parcos recursos, fica praticamente impossível,
entender como puderam ter sido relegados
ao tempo, máquinas, equipamentos,
instalações e propriedades
tão caras.
Hoje, o custo da demolição
para o aproveitamento da sucata, compreendendo
os valores envolvidos para desmontar, transportar
e re-instalar os motores/redutores de velocidade,
o re-aproveitamento das instalações
elétricas, o re-aproveitamento das
máquinas e equipamentos fixos e móveis,
os vagões ferroviários, os
guindastes portuários de suas instalações,
enfim, tudo o que ainda permitiria um novo
ciclo de vida, não é viável
num país onde os custos, principalmente
do “homem”, são muito
elevados. Resta então, como último
recurso, o abandono.
Outro ramo de atividade, que se encontra
defasado tecnologicamente, é o cimenteiro.
Neste segmento, tivemos o privilégio
de atuar como Gerente Geral de uma Moagem
de Cimento e Escória, em Detroit
– MI. Trata-se de uma fábrica
completa, no processo de “via úmida”,
que apesar de ter passado pela mão
de grandes fabricantes mundiais de cimento,
teve o mesmo fim. Se não fossem estes
grupos estrangeiros, dos quais o maior conglomerado
cimenteiro brasileiro, que atualmente opera
esta fábrica, nem as instalações
para moagem de cimento e escória
teriam resistido. Ao lado das instalações
preservadas e em pleno processo de modernização,
encontramos equipamentos caros e muito pesados,
abandonados, imprimindo um aspecto altamente
desolador. Muitos, com a carga de farinha,
carvão mineral e clinquer, no seu
interior. Quando a decisão de paralisação
foi tomada, os botões foram desligados,
a maioria dos profissionais existentes ficou
desempregada e as suas famílias passaram
por grandes dificuldades. Encontrar novas
atividades e se preparar para um novo emprego
com uma nova filosofia e metodologia, exigiu
grande determinação pessoal
e profissional.
Quando se analisa que esta fábrica
foi instalada onde não há
matérias primas e insumos necessários
para sua operação, mas somente
mercado e o capital para implantá-la,
é fácil compreender que o
seu tempo passou, que ficou obsoleta, que
não é mais viável operá-la
como uma fábrica completa. O processo
produtivo adotado, grande consumidor de
energia elétrica e térmica,
é hoje, absolutamente inviável.
Além da obsolescência tecnológica
a que ficou submetida com o passar dos anos,
tem ainda um outro fator adverso: o clima
com um inverno extremamente rigoroso.
Está situado no fundo da fábrica,
o seu porto que fica às margens do
rio Rouge e, é um fator estratégico
vital para o recebimento de todas as matérias
primas e insumos. Infelizmente, não
pode operar durante todos os meses do ano,
pois tanto os grandes lagos (Eriê,
Michigan, Ontário), como os rios
Detroit e Rouge que são os braços
de acesso às várias fábricas
instaladas às suas margens, têm
suas águas congeladas no inverno.
O clinquer, que é trazido principalmente
do Canadá e as demais matérias
primas disponíveis nas imediações
da fábrica e que fazem parte do processo
produtivo, não tem como ser recebidas.
Só operam, até que os estoques
zerem. Para diminuir esta dependência,
grandes investimentos são necessários
para ampliar as capacidades de armazenagem,
trazendo como conseqüência, os
altos custos deles decorrentes.
Neste cenário, com competência
na utilização de sistemas
modernos de gestão amplamente conhecidos
por seus executivos, mais o capital para
investir em máquinas, equipamentos
e instalações de última
geração, o grupo cimenteiro
brasileiro viabiliza a continuidade da indústria
cimenteira de Michigan, que tem hoje excelentes
condições de competitividade
atuando num mercado altamente consumidor.
Ferramentas de gestão, que o IBC
domina e disponibiliza, tais como: Manutenção
Produtiva Total, Análise de Valor,
Metodologia Racional para Solução
de Problemas, Programa de Qualidade, 7 Ferramentas
Estatísticas, Programas de Participação
de Resultados, 5 S’s e Capacitação
de suas Equipes, dentre outras, ajudaram
e continuam a ajudar a assegurar a sua competitividade.
Conclusão: o homem, num processo
de melhoria contínua em suas qualificações,
promovendo assim a produtividade do conhecimento
humano e um acompanhamento tecnológico
industrial permanente, são dois dos
maiores responsáveis pela sobrevivência
competitiva da organização.
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Autor: Lauro R.D.Volaco
– Eng. Mecânico
Empresa: IBC - Instituto
Brasileiro para a Competitividade |
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