Acredito que a competição
na área comercial é uma das mais afloradas.
Diferencial virou uma obrigação e não
existe mais espaço para não competir neste
mercado e na área comercial. Estratégias
de remuneração promovem premeditadamente
concorrência entres os clientes internos. Vendedores
e gestores de vendas competem entre si.
De uma forma dinâmica, quero passar um breve
relato por onde passei, que ferramentas tínhamos
e temos e que técnica aplico para continuar me
diferenciando até hoje e provavelmente
continuarei até me aposentar.
.
Por onde passei,
Tive a oportunidade de participar ativamente na geração
dos anos 80 e 90, onde mudanças conceituais importantes
aconteceram, desde a estrutura física até
a forma de pensar. Para quem viveu esta época
vai lembrar que comprou um LP (disco de vinil), que
virou CD e hoje é MP3. Um período onde
não se tinha internet e hoje não vivemos
sem. Lembro que cheguei a realizar 23 visitas no mesmo
dia. Podia andar com o vidro aberto do carro 100% do
tempo, ar condicionado não era um item de segurança.
Lembro que minha entrada nas empresar era extremamente
fácil e éramos bem vindos. Não
havia tantas portarias e seguranças para chegar
a uma pessoa. No máximo era a secretária
que dificultava um pouco o processo, um filtro na realidade.
As ferramentas eram: ser simpático, tratar bem
e com respeito, dominar ou articular bem a língua
e até um pouco de carinho. Mas o que realmente
era vital e não tinha como errar, era a VISITA!
Ficar olho a olho realmente mudava os resultados: quem
visitava mais vendia mais. Uma matemática simples:
quanto mais sola de sapato você gastava mais você
vendia. Meus interlocutores tinham prazer em me receber,
muitas vezes compravam o que não precisavam pelo
prazer de ajudar alguém que investiu um pouco
do seu tempo para realizar aquela visita. Ouvir o cliente
falar sobre a sua empresa era o que bastava. A atenção
era recompensada com um pedido ou contrato.
Chegando o ano 2000 tudo mudou. Diria que foi uma sensação
que a mudança ocorreu da noite para o dia. Com
a tecnologia no discurso de todos, com os investimentos
realizados por causa do BUG do MILÊNIO, todos
tiveram acesso à tecnologia e tudo mudou. Portarias
foram automatizadas, entradas vigiadas eletronicamente,
sites de compra, visitas somente com um objetivo claro
e se fosse possível, evitá-la a todo custo.
Nos sites todas as informações estavam
disponíveis. Porque perguntar para o vendedor
se tudo estava na internet. E-commerce no auge, todas
as pessoas comprando, chegou ao ponto de questionar
se o vendedor (pessoa física) não seria
mais necessário. Uma transformação
sem precedentes na humanidade.
O que era um diferencial nas décadas de 80 e
90, as visitas, passaram a não ser mais.
Quanto mais visitas, não significavam mais vendas.
Outra estratégia para competir e melhor vencer
tinha que ser encontrada e adequada para ter sucesso,
depois do Ano 2000. Nasceu a década dos E-mails!!
Que ferramentas tínhamos e temos
De uma ferramenta, a visita, surgiu milhares de ferramentas.
Nasceram os PALMs, os sites, as lojas virtuais, os e-mails,
e-mails marketings, os Blogs, Mini Blogs, sites de relacionamento
como o orkut, liked in, ferramentas de search e agora
os twiters. Não tenho dúvida que quem
acabou de ler está linha já deve até
saber de outras novidades. Uma "festa" de
formas de contato com nossos desejados interlocutores,
um caminhão de informações (certas
e erradas) que não podemos e muito menos devemos
tentar controlar. Uma verdadeira confusão na
cabeça dos nossos prospects. Hoje é possível
rastrear nosso cliente. Consigo saber se ele está
no shopping e vender algo para ele pelo celular. Através
da televisão on line, consigo saber quais propagandas
devo usar. Já é possível ver quem
está na frente da TV. Da mesma forma, através
de behavior targeting, visualizo suas possíveis
intenções de compras e por quais comunidades
os meus interlocutores transitam. Um verdadeiro arsenal
de formas de chegar ao nosso interlocutor e que infelizmente
"descartam" a nossa gloriosa visita. Nossa
melhor ferramenta, do olho no olho.
Adaptar-se e principalmente entender algumas destas
ferramentas que mencionei será fundamental, estudar
qual a mais adequada para o seu público alvo
será sua primeira "tarefa de casa".
Procure identificá-la e não se esqueça
de identificar qual você se sente mais confortável,
que você se sinta mais à vontade. Da mesma
forma que aprendemos a gostar de fazer visitas apesar
de todos os problemas, aprenda a gostar de todas estas
ferramentas.
Um detalhe à parte, nas minhas interações
com o público sempre posiciono que não
existe um tipo de vendedor ou de pessoa que deve estar
em vendas. Existe sim, um tipo de venda para cada tipo
de pessoa. Uma pessoa do tipo extrovertido funciona
bem vendendo varejo, já um tipo introvertido,
soluções de tecnologia. Assim identificar
o que você se sente melhor é fundamental
para não perder a motivação em
lidar com todas estas novas ferramentas.
Que técnica aplico para continuar me
diferenciando até hoje
O grande desafio atual é definir que estratégia
utilizar. Aquele velho ditado do "não ofereça
mais do que três opções para o cliente"
se aplica neste caso. Escolha uma ferramenta, uma metodologia,
uma abordagem e depois que executou várias vezes
e ficou "craque", experimente outra. Não
caia na ilusão de "juntar coisa" ou
pegar o "melhor de cada uma", enquanto você
não experimentar até o limite não
terá bagagem de conhecimento para perceber as
diferenças, estas são sutis.
Como nosso objetivo desta obra é entregar o
que devemos fazer para se diferenciar vou direto as
minhas sugestões que são parte integrante
de uma metodologia chamada WinnersMap
onde os três alicerces desta metodologia são
a Ciência que estuda o comportamento humano, a
psicologia. Outro alicerce é a experiência
empírica, 20 anos de área comercial e
finalmente o gerenciamento de projetos, o PMI
Inicio com o principal alicerce, Entenda como você
funciona para entender como o outro funciona. Se
funcionou com você, funcionará com o seu
interlocutor. Parece simples, um jargão, e é,
mas precisa de treinamento.
Experiente perceber o que está por de trás
no seu processo de decisão. Quando você
compra e quando gerencia conflitos. Existem diversos
recursos internos que são acionados, que são
verdadeiras ferramentas poderosas de diferenciação.
Quando compra, perceba que existe
um desejo incontrolável de comprar ou de querer
em todos e ao ser atingido não agüentamos
e acabamos comprando. Como se existisse um ser dentro
de nós que deseja tudo a toda hora. Acabei de
comprar um carro 2008 e em menos de 06 meses já
estou sendo seduzido pelo modelo 2009. Agora, como utilizar
este ser ao nosso favor? Primeiro acreditando que ele
existe: este "ser". Pare de tentar vender,
experimente ser um canal de condução.
A necessidade já está instalada dentro
do seu interlocutor, aquele "ser" que quer
comprar já está lá. Seu papel será
auxiliá-lo na condução da compra.
Em outras palavras é auxiliar seu interlocutor
a comprar. Não se preocupe em vender. Para dar
"tamanho" no que estou dizendo, este "ser"
que existe em nós tem um nome e é chamado
de ID na psicanálise. Assim, perceba o seu ID
atuando que identificará que todos nós
temos um "ser" que quer comprar tudo a toda
hora. Hoje o grande papel do marketing é aumentar
o desejo do ID, é tornar insuportável
resistir a uma compra. Repare como isto acontece dentro
de você. Aquela esteira que vira um cabide de
luxo é o perfeito exemplo. Compramos mesmo sabendo
que vai ficar encostada. Nosso desejo é tão
grande de resolvermos nossa forma física que
acabamos adquirindo este "cabide de luxo".
Isto está intrínseco no ser humano, não
existe como fugir. Todo tem um ID que pede, pede e pede...
Percebendo e utilizando este recurso será um
grande diferencial competitivo.
Quando você gerencia conflitos,
existem apenas duas necessidades que o ser humano busca
em todas as situações. A de "ser
aplaudido" ou de "receber colo". Não
existem outras. Reflita um segundo, volte na sua memória
e analise se isto é uma verdade... Agora o detalhe
neste ponto é que eu não consigo me aplaudir.
Muito menos me dar colo. Imagine o quanto seria sem
graça olhar no espelho e bater palma para você
mesmo! Colo então, nem preciso mencionar. Ou
seja, preciso convencer o outro a fazer isto para mim.
Assim, toda a relação é um conflito,
sem exceção. O ato de fazer o outro fazer
algo para mim. Ao reparar como é a sua gestão
em situações de conflito perceberá
em que momentos você buscava aplauso ou colo do
seu interlocutor ou ainda melhor o quanto seu interlocutor
buscava o mesmo. Entendendo e percebendo está
dinâmica de busca que todos temos de convencer
o outro a nos dar colo, será outro diferencial.
De aplauso para quem te pede, ou de colo para quem te
pede. Sua habilidade com pessoas será reconhecida
rapidamente. Clientes sabem que não existe produto
sem problemas. O que frustra é estar sozinho
no momento quando o produto falha. Ficar sem colo nesta
hora dói. Outro exemplo é quando não
elogiamos a equipe técnica, fatalmente discursos
negativos ou reclamações passam a ser
freqüentes quando nos esquecemos de elogiar. Ficar
sem aplausos também dói.
Onde e como praticar esta percepção?
Minha primeira sugestão é com os filmes
disponíveis no mercado. Ao invés de simplesmente
assistir um filme pense o que realmente te prendeu a
atenção. Com que cena ou ator você
se identificou? Porque isto aconteceu? Repare que quando
não há identificação com
nada o filme não foi uma experiência legal.
Quando não sofremos juntos, choramos juntos ou
não sentimos dor não tem graça.
Que desejos foram estes que os diretores ou atores buscaram
"cutucar".
Outro lugar excelente para exercitar são os
comerciais de TV. Como eles fazem você querer
comprar? Onde eles acertaram? Um comercial que me chamou
atenção recentemente foi de um carro da
Ford chamando Fusion, "quem tem fez por merecer",
que provocação! Se eu não tenho
não fiz por merecer? Agora posso provar a todos
que fiz por merecer, comprei um Fusion! Onde estão
os meus aplausos por ter feito por merecer! Este comercial
é muito profundo. Outro comercial que foi um
sucesso, "não é uma Brastemp".
Imagine quantas pessoas ficaram angustiadas por não
ter uma Brastemp! Que pesadelo minhas visitas perceberem
que não tenho uma Brastemp.
Sem muito compromisso, não se castigue, experimente
reparar e exercitar estas duas sugestões. Perceba
, note, repare, sinta as sensações que
estão por de trás destas emoções
que a um diferencial competitivo automaticamente vai
se instalar. Quando mais você se conhecer automaticamente,
mais conhecerá o outro. Conhecendo "o outro",
todos os seus objetivos serão alcançados
de uma forma muito natural e espontânea.
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Autor: Dominic de Souza - Managing
Director
Empresa: DQ & A
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